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Duas taças

O que me diz de todas essas mentiras? Anos e anos escutando as mesmas histórias, sem fim, perdida em meio a todo esse egoísmo profundamente enraizado em complexos adolescentes. Você brincava comigo todas as noites e eu adorava. Só queria estar ali, sempre à disposição, para satisfazer seus caprichos noturnos – muitas deles diurnos -, mas quem se importa? Tudo aquilo era uma delícia sem fim. Uma mentirinha aqui e ali nunca me afetou tanto assim. Não digo que sou daquelas que finge não sentir o que sente, até porque nunca fui capaz de tal feito. Estou à flor da pele agora, como estava ontem às 2h da madrugada. E às 2h10 te liguei, afinal, sempre fui um tanto quanto ligada em horas exatas, momento certo, o tal time das coisas. Queria te surpreender, o que não é uma novidade. É tão bom pegar alguém desprevenido – mas eu prefiro ser pega desprevenida, mas as pessoas não são tão imprevisíveis como eu gostaria que fossem. Perturbei sua noite com um telefonema, e você disse que não, que estava tudo bem e que era ótimo ouvir minha voz àquela hora da madrugada. Expressei alguma felicidade? Lógico. Que mulher não pularia com uma afirmação dessas? Ainda mais quando se está loucamente apaixonada por um boêmio. Consegui até sentir o tilintar dos gelos de sua taça. Quem dera se eu estivesse do seu lado, não do outro, no escuro, sozinha e tomando uma taça semelhante, mas sem gelo. Eu brinquei com o fio do telefone enquanto falava, quando o silêncio se instalou entre nós. Tentei emendar uma história qualquer da nossa semana conturbada, distante, mas nada surgiu para suturar o veneno da ausência de som. Minto, conseguia ouvir vozes e a sua respiração, que não parecia entediada, para o meu alívio momentâneo. Foi nesse momento que você resolveu dizer que precisava desligar e, inconsciente daquilo tudo, apenas consenti e disse que precisava dormir. Que tristeza. Era um sábado, às 2h30 da madrugada, e eu estava tomando todas no meu apartamento, sozinha, ouvindo She & Him, pensando o quanto essas músicas combinam com a minha vidinha miserável. “I Was Made For You”, “I Thought I Saw Your Face Today” e a que mais me deixa inconsolável “Me and You”. Ah! Odeio sentir essa vontade louca de sair pela noite à sua procura. Bater na porta de seu apartamento sem ser convidada e, quando abrir a porta, jogar-me em seus braços e beijar cada pedacinho de pele em seu rosto, pular para seu corpo e esquecer que amanhã é segunda-feira.


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